domingo, maio 10, 2009



O ENSINO DA HISTÓRIA


A criança inicia seus primeiros anos de vida escolar, se alfabetiza e já na primeira fase do ensino fundamental começa a debater os primeiros temas de natureza histórica. Mesmo com a pouca idade, inicia o debate com um conceito um pouco distante: o passado. Isso não quer dizer que as experiências já vividas não fazem parte do seu cotidiano, pois desde muito cedo acumula suas primeiras lembranças pessoais e familiares.

No entanto, conforme boa parte desse público reclama, falar sobre um tempo em que “a gente nem era nascido” causa certa estranheza ao aluno. O tão indispensável exemplo concreto, fundamental para as primeiras etapas da educação, parece não ter aplicação para os assuntos de natureza histórica. Essa visão chega a ser partilhada com o próprio educador que, muitas vezes, ainda faz parte de uma geração que aprendeu que a História é a matéria onde decoramos datas e guardamos os grandes feitos das grandes personagens do passado.

Até aqui tudo parece vazio, a História vira sinônimo de “decoreba”, uma verdadeira disciplina de enciclopédia. No entanto, pais e educadores às vezes não têm contato com outras perspectivas que tragam resposta aos problemas expostos. No fim, não conseguem uma resposta convincente para justificar para a criança qual a “real” importância de se estudar o passado. Quando muito, apelam para os argumentos de natureza nacionalista ou futurologista. O primeiro evoca a importância de sabermos a História do nosso país, e o segundo repete o velho bordão: “Devemos conhecer o passado, para entendermos o presente e melhorarmos o futuro.”.

Pensando uma segunda vez, sabemos que nenhuma dessas desculpas funciona. As crianças não pensam cotidianamente sobre o contexto histórico do país e, muito menos desconfiam de como algo antigo pode resolver os problemas de um tempo futuro que não lhe desperta a mínima preocupação. Por isso, devemos subordinar o ensino de História às crianças e não o contrário. A História deve estar relacionada com as coisas do presente, ao cotidiano que tanto interessa ao aluno. Dessa forma, devemos mostrar para o aluno como a História se faz presente aqui e agora.

Ao falarmos das culturas que nos cercam, das expressões usadas cotidianamente ou sobre os mínimos hábitos familiares podemos sentir o sabor do passado. As esferas mais próximas do mundo da criança devem sem privilegiadas como fontes ricas de conhecimento. A construção de uma árvore genealógica, o contato com imagens dos antepassados, a origem de determinados nomes e expressões contemporâneas são fontes que atraem o olhar infantil aos objetos históricos.

Em parceria com esse trabalho de investigação do seu próprio passado, o aluno deve ser desde sempre estimulado à crítica do mesmo. O passado não lhe dirá nada caso o seu novo aprendiz não seja motivado a questionar sobre o mesmo. Por isso, a opinião e a produção de textos autorais são chaves fundamentais na elaboração de um aprendizado mais estimulante. São muitas as formas e propostas para tal empreendimento, por isso, estejamos atentos às formas que o passado pode ser apresentado ao dia-a-dia dos novos historiadores.

PERGUNTAS DE UM OPERÁRIO QUE LÊ Bertold Brecht (1898-1956)


Quem construiu as Tebas das Sete Portas?
Nos livros constam nomes de reis.
Foram eles que carregaram as rochas?
E a Babilônia várias vezes destruída?
Quem a construiu tantas vezes?
Quais as casas de Lima dourada abrigavam os construtores?
Na noite em que terminou a Muralha da China para onde foram os operários da construção?
A eterna Roma está cheia de arcos de triunfo.
Quem os construiu?
Sobre quem triufaram os Césares?
A tão decantada Bizâncio era feita só de palácios?
Mesmo na legendária Atlantidas moribundos chamavam pelos seus escravos na noite em que o mar os engolia.


O jovem Alexandre conquistou a Índia.
Ele sozinho?
César bateu os Gauleses.
Não tinha ao menos um cozinheiro consigo?
Quando a "Invensível Armada" naufragou, dizem que Felipe da Espanha chorou.
Só ele chorou?
Frederico II ganhou a Guerra dos Sete Anos.
Quem mais ganhou a guerra?


Cada página uma vitória.
Quem preparava os banquetes da vitória?
De dez em dez anos um grande homem.
Quem paga suas despesas?


Tantas histórias.
Tantas perguntas.
"AS MASSAS É QUE FAZEM A HISTÓRIA"

sábado, maio 09, 2009

PERGUNTAS DE UM OPERÁRIO QUE LER

Quem construiu as Tebas das Sete Portas?
Nos livros constam nomes de reis.
Foram eles que carregaram as rochas?
E a Babilônia várias vezes destruída?
Quem a construiu tantas vezes? Quais as casas de Lima dourada abrigavam os construtores?
Na noite em que terminou a Muralha da China para onde foram os operários da construção?
A eterna Roma está cheia de arcos de triunfo.
Quem os construiu? Sobre quem triufaram os Césares?
A tão decantada Bizâncio era feita só de palácios?
Mesmo na legendária Atlantidas moribundos chamavam pelos seus escravos na noite em que o mar os engolia.

O jovem Alexandre conquistou a Índia.
Ele sozinho?
César bateu os Gauleses.
Não tinha ao menos um cozinheiro consigo?
Quando a "Invensível Armada" naufragou, dizem que Felipe da Espanha chorou.
Só ele chorou?
Frederico II ganhou a Guerra dos Sete Anos.
Quem mais ganhou a guerra?

Cada página uma vitória.
Quem preparava os banquetes da vitória?
De dez em dez anos um grande homem.
Quem paga suas despesas?

Tantas histórias.
Tantas perguntas.

Retirado do Boletim Informativo da Campanha de Alfabetização da ESCOLA POPULAR (página 04); Norte de Minas - Junho de 2008.

quarta-feira, maio 06, 2009

Obras de Paulo Freire


Olá alunos,

Preciosidades da obra do pedagogo libertário Paulo Freire estão desbloqueadas para impressão. São 9 (nove) livros importantíssimos de um pensador brasileiro comprometido profundamente com as causas sociais e a educação brasileira. O material é inovador, criativo, original e tem importância histórica inédita.

Baixe todos os livros gratuitamente em: http://clinicadotexto.wordpress.com/

Boa leitura a todos.

Abraços,

Maria Jacy

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